Novo Canindé: projeto, capacidade e início das obras
O Canindé pode passar pela maior transformação de toda a sua história. A tradicional casa da Portuguesa, em São Paulo, está no centro de um projeto que pretende substituir a configuração atual por uma grande arena multiuso, preparada não apenas para jogos de futebol, mas também para shows, eventos, hospitalidade e atividades comerciais. Neste artigo, você vai entender como deverá ser o Novo Canindé, quanto poderá custar, qual será sua capacidade, por que a construção atrasou e o que essa transformação pode representar para o futuro da Portuguesa.
O Grande Projeto

O projeto apresentado pela Portuguesa SAF prevê uma arena para mais de 50 mil espectadores em partidas e capacidade ainda maior em grandes eventos. Ao redor do estádio também estão previstos hotel, boulevard gastronômico, novo clube social, camarotes e um grande edifício-garagem.
Mas existe um detalhe fundamental: apesar das imagens divulgadas e das previsões iniciais, as obras ainda não começaram.
A situação do terreno do Canindé, questões jurídicas, financiamento e mudanças entre os parceiros responsáveis pelo empreendimento fizeram o cronograma avançar mais lentamente do que o inicialmente previsto.
Novo Canindé em resumo
Antes de entrar nos detalhes, estes são os principais números e informações divulgados sobre o projeto:
- Clube: Associação Portuguesa de Desportos
- Estádio atual: Estádio Dr. Oswaldo Teixeira Duarte, o Canindé
- Capacidade atual: aproximadamente 21 mil espectadores
- Capacidade prevista da nova arena: mais de 50 mil pessoas em partidas
- Capacidade projetada para grandes eventos: aproximadamente 84,5 mil pessoas
- Assentos convencionais anunciados: 46.500
- Lugares em camarotes: 4.685
- Estacionamento previsto: aproximadamente 4.600 veículos
- Outros equipamentos: hotel, boulevard gastronômico, clube social e áreas de entretenimento
- Duração inicialmente estimada das obras: até 40 meses
- Início inicialmente previsto: janeiro de 2026
- Situação em agosto de 2026: obras ainda não iniciadas
- Custo: estimativas públicas já variaram de cerca de R$ 500 milhões a valores próximos de R$ 1 bilhão
Esses números ainda podem sofrer alterações, especialmente porque o projeto executivo definitivo e o modelo final de financiamento não foram apresentados publicamente em todos os detalhes.
Como é o Canindé atualmente?

Antes de entender o tamanho da transformação, é preciso olhar para o estádio que existe hoje.
O Canindé é uma das arenas mais tradicionais de São Paulo e está profundamente ligado à história da Portuguesa.
A relação da Lusa com o local começou em 1956, quando o clube adquiriu a área que anteriormente havia sido utilizada pelo São Paulo Futebol Clube.
A estrutura daquele período era bastante diferente da atual. O estádio possuía instalações simples e chegou a contar com arquibancadas de madeira, característica que ajudou a popularizar o antigo apelido de Ilha da Madeira.

Com o passar dos anos, o Canindé foi ampliado e transformado.
Uma das mudanças mais importantes aconteceu durante a administração de Oswaldo Teixeira Duarte. Em 1972, o estádio passou a contar com uma estrutura muito mais robusta de arquibancadas em concreto.
O local receberia posteriormente o nome oficial de Estádio Dr. Oswaldo Teixeira Duarte.
Hoje, sua capacidade registrada gira em torno de 21 mil espectadores.
Apesar de inúmeras intervenções ao longo das décadas, grande parte da configuração do estádio ainda guarda características de uma época em que as exigências de conforto, hospitalidade, acessibilidade, geração de receitas e realização de grandes eventos eram muito diferentes das atuais.
É justamente isso que o novo projeto pretende mudar.
Como será o Novo Canindé?

O projeto apresentado em agosto de 2025 representa muito mais do que uma reforma convencional.
Na prática, a proposta é reconstruir profundamente o complexo e criar uma arena moderna no terreno onde hoje está o Canindé.
A transformação envolve tanto o estádio quanto boa parte das estruturas ao redor.
A proposta apresentada pela Portuguesa SAF em parceria com a então responsável pelo empreendimento previa um complexo com:
- nova arena de futebol;
- mais de 50 mil lugares para partidas;
- camarotes e áreas de hospitalidade;
- estrutura voltada para grandes shows;
- hotel;
- boulevard gastronômico;
- novo clube social;
- áreas comerciais e de entretenimento;
- edifício-garagem com milhares de vagas.
Isso altera completamente a função econômica do Canindé.
O estádio deixaria de ser utilizado principalmente em dias de jogos da Portuguesa para se transformar em um equipamento capaz de funcionar durante grande parte do ano.
Qual será a capacidade do Novo Canindé?
A capacidade é um dos aspectos que mais chama atenção. Os números apresentados em 2025 indicavam:
- 46.500 assentos convencionais nas arquibancadas;
- 4.685 lugares destinados aos camarotes.
Somando diretamente esses dois números, chega-se a 51.185 lugares.
Entretanto, materiais e declarações posteriores passaram a mencionar capacidades próximas de 52 mil espectadores para partidas de futebol.
Por isso, enquanto não houver uma definição executiva definitiva, a forma mais segura de tratar o assunto é afirmar que o Novo Canindé deverá ter mais de 50 mil lugares.
Mesmo tomando essa referência mais conservadora, a mudança seria gigantesca. O estádio atual comporta aproximadamente 21 mil pessoas.
Isso significa que a nova arena poderá ter mais que o dobro da capacidade da atual casa da Portuguesa.
Novo Canindé poderá receber até 84,5 mil pessoas em shows

Existe outro número ainda mais impressionante.
Em grandes eventos e shows, utilizando também a área normalmente ocupada pelo gramado, a capacidade divulgada chega a aproximadamente 84,5 mil pessoas.
Isso acontece porque um estádio preparado para grandes espetáculos pode utilizar espaços que ficam vazios durante uma partida de futebol.
Em um jogo, o campo precisa permanecer completamente livre para atletas, arbitragem e operação esportiva.
Durante determinados shows, entretanto, milhares de espectadores podem ocupar a área do gramado.
É justamente essa diferença que permite aumentar de maneira tão significativa a lotação. E esse detalhe revela uma das características mais importantes do projeto.
O Novo Canindé não está sendo pensado apenas como um estádio de futebol. Ele está sendo projetado como uma arena de entretenimento.
Por que o projeto aposta tanto em shows?
Grandes estádios modernos são extremamente caros para construir e manter.
Depender apenas de 20, 30 ou 40 partidas de futebol por ano pode limitar bastante a capacidade de geração de receitas. Por isso, muitas arenas passaram a adotar um modelo multiuso.
Quando bem planejado, o estádio pode receber:
- partidas de futebol;
- grandes shows;
- eventos corporativos;
- convenções;
- experiências de hospitalidade;
- eventos particulares;
- ativações de marcas;
- restaurantes;
- atrações comerciais.
A ideia é fazer com que o imóvel produza receita mesmo quando não existe futebol.
No caso do Canindé, isso é ainda mais importante porque a viabilidade econômica da arena está diretamente relacionada ao projeto de reconstrução financeira e esportiva da Portuguesa.
O estádio passa, portanto, a ser visto não apenas como patrimônio histórico do clube, mas como um ativo capaz de produzir receitas durante muitos anos.
Arquitetura do Novo Canindé deverá favorecer grandes eventos

As imagens apresentadas do projeto mostram uma configuração diferente da encontrada em muitos estádios tradicionais.
Em vez de simplesmente criar quatro arquibancadas semelhantes formando um anel completamente uniforme, o conceito divulgado parece levar em consideração a operação de grandes eventos.
Uma das extremidades é especialmente importante para a montagem de estruturas destinadas a shows.
Essa decisão pode facilitar a instalação de palcos e melhorar a utilização das arquibancadas existentes. É um aspecto fundamental.
Estádios que não foram originalmente projetados para apresentações musicais frequentemente enfrentam problemas de operação.
A montagem de palcos pode inutilizar enormes setores de arquibancadas, reduzir a capacidade, prejudicar linhas de visão e aumentar o tempo necessário para preparar o evento.
Uma arena concebida desde o início pensando nesse tipo de utilização pode minimizar parte desses problemas.
Os camarotes serão fundamentais para o negócio

Outro destaque do projeto está nas áreas de hospitalidade. Foram divulgados 4.685 lugares destinados aos camarotes, além de referências a aproximadamente 160 unidades desse tipo.
Pode parecer apenas um detalhe de conforto, mas economicamente é uma diferença enorme.
Em arenas modernas, os setores premium normalmente geram uma receita por espectador muito superior àquela obtida com ingressos convencionais.
Empresas podem adquirir camarotes por temporada, utilizar espaços para receber clientes e promover eventos corporativos.
Além disso, áreas VIP, restaurantes exclusivos e lounges ajudam a aumentar o valor comercial de cada evento.
Por isso, o sucesso financeiro de uma grande arena não depende somente da quantidade total de assentos.
Também depende de quanto cada espaço consegue gerar em receita.
Por que a localização do Canindé é tão valiosa?

A localização é provavelmente um dos maiores ativos de todo o projeto.
O Canindé está em uma região estratégica da cidade de São Paulo, próximo à Marginal Tietê e relativamente perto da região central.
Também está próximo do Terminal Rodoviário do Tietê e de importantes eixos de transporte público.
Para uma arena que pretende receber dezenas de milhares de pessoas em grandes eventos, essa localização possui enorme valor.
Não basta construir um estádio para 50 mil ou 80 mil espectadores. É preciso conseguir levar e retirar esse público da região com eficiência.
E existe outro elemento importante: São Paulo é um dos maiores mercados de shows, eventos e entretenimento da América Latina.
Uma grande arena localizada dentro da cidade passa a disputar um mercado que vai muito além das partidas da Portuguesa.
Novo estacionamento deverá ter cerca de 4.600 vagas
O acesso por automóvel também ganhou importância nas versões mais recentes do projeto.
A proposta apresentada em 2025 indicava um edifício-garagem para aproximadamente 4.600 veículos.
É um número consideravelmente superior às cerca de 2.500 vagas mencionadas em versões preliminares do empreendimento.
A mudança mostra como o conceito foi crescendo conforme os estudos avançaram.
Um estacionamento desse porte também pode funcionar como fonte adicional de receitas durante partidas, shows e outros eventos.
O Novo Canindé terá hotel?
Sim. A implantação de um hotel está entre os elementos previstos para o novo complexo.
Nas primeiras apresentações do empreendimento chegou-se a falar em um hotel temático ligado à Portuguesa.
Ainda não está claro até que ponto essa identidade será mantida na versão final, mas a presença de uma estrutura hoteleira faz sentido dentro da lógica do projeto.
Hotel, restaurantes e áreas comerciais podem aumentar a quantidade de pessoas circulando pelo complexo mesmo quando o estádio não estiver recebendo eventos.
Essa estratégia ajuda a transformar uma arena em um destino permanente.
Boulevard gastronômico deverá movimentar o complexo em dias sem jogos

Outra estrutura anunciada é o boulevard gastronômico.
Esse tipo de espaço tem aparecido com frequência em projetos modernos de arenas porque ajuda a solucionar um dos maiores problemas dos estádios tradicionais: a baixa utilização em dias sem partidas.
Imagine uma estrutura gigantesca sendo utilizada apenas algumas dezenas de vezes durante todo o ano. Economicamente, isso representa um enorme desperdício de espaço.
Restaurantes, lojas e áreas de convivência podem criar movimento constante e ajudar o complexo a gerar receita de forma independente do calendário esportivo.
No Canindé, esse conceito também pode explorar uma característica muito própria da Portuguesa: sua ligação histórica com a comunidade portuguesa e com a gastronomia.
Se isso for bem utilizado, poderá ajudar o novo complexo a desenvolver uma identidade própria em vez de se tornar apenas mais uma arena moderna.
E o clube social da Portuguesa?
O Canindé nunca foi apenas um estádio. O complexo também está historicamente ligado às atividades sociais da Portuguesa.
Por isso, o projeto prevê a reconstrução e modernização do clube social.
Versões anteriores já mencionaram espaços destinados a piscinas, quadras, lazer, convenções e outras atividades para os associados.
Esse elemento é particularmente delicado porque qualquer transformação precisa conciliar duas funções distintas.
De um lado, existe a necessidade de criar um empreendimento comercialmente rentável. Do outro, existe a história da Portuguesa enquanto associação esportiva e social.
O sucesso do projeto dependerá também de como essas duas realidades serão integradas.
O projeto do Novo Canindé ficou muito maior desde 2024

Uma curiosidade importante é que o projeto não nasceu com as dimensões apresentadas atualmente.
Quando os investidores começaram a detalhar a proposta da SAF em 2024, as primeiras informações falavam em um estádio para aproximadamente 30 mil espectadores em jogos.
Para grandes eventos, a capacidade ficaria entre aproximadamente 45 mil e 50 mil pessoas. Também eram mencionados um novo clube social, hotel e aproximadamente 2.500 vagas de estacionamento.
Quando a versão mais detalhada foi apresentada em agosto de 2025, a escala havia mudado consideravelmente.
A capacidade passou para mais de 50 mil pessoas em partidas e aproximadamente 84,5 mil em eventos. O estacionamento também cresceu para cerca de 4.600 vagas.
Isso significa que algumas imagens, números e conceitos mais antigos encontrados na internet podem não representar a versão mais recente apresentada para o Novo Canindé.
Quanto custará o Novo Canindé?
Esta é uma das perguntas mais difíceis de responder de maneira definitiva.
As estimativas divulgadas mudaram ao longo do desenvolvimento do projeto.
Quando a proposta de transformação da Portuguesa em SAF começou a ganhar forma, eram mencionados investimentos próximos de R$ 500 milhões relacionados à modernização do Canindé.
Posteriormente, em abril de 2026, dirigentes da Portuguesa SAF falaram em valores que poderiam chegar a algo entre R$ 850 milhões e R$ 1 bilhão, dependendo do padrão final da arena e do empreendimento.
Ao mesmo tempo, outras declarações continuaram utilizando estimativas menores.
Por isso, neste momento, não existe um orçamento executivo definitivo divulgado publicamente que permita afirmar com segurança que a construção custará exatamente determinado valor.
A conclusão mais segura é que se trata de um projeto de centenas de milhões de reais, cuja configuração final pode aproximar o investimento da casa de R$ 1 bilhão.
Por que as obras do Novo Canindé ainda não começaram?
Aqui está uma das partes mais importantes de toda a história.
Quando o projeto foi apresentado em agosto de 2025, a expectativa era iniciar as obras em janeiro de 2026. O cronograma previa aproximadamente 40 meses de construção.
Janeiro de 2026 chegou, mas as obras não começaram.
Um dos principais motivos está relacionado à situação fundiária da área do Canindé.
O terreno é mais complexo do que simplesmente uma propriedade integralmente pertencente à Portuguesa.
Existem áreas do clube e áreas pertencentes ao Município de São Paulo dentro do perímetro envolvido pelo projeto.
Antes de realizar um investimento de centenas de milhões de reais, é necessário garantir segurança jurídica sobre o terreno onde a arena será construída.
A situação do terreno é um dos maiores entraves
A questão fundiária do Canindé já vinha sendo discutida antes mesmo da atual SAF.
A Prefeitura de São Paulo criou, por meio da Lei Municipal nº 17.844 de 2022, o chamado Projeto Estratégico Canindé-Portuguesa.
A legislação estabeleceu mecanismos para reorganização e regularização da área.
Dentro do perímetro existem parcelas municipais e outras pertencentes à Associação Portuguesa de Desportos.
Em uma das áreas envolvidas no projeto, por exemplo, documentos municipais indicam aproximadamente:
- 55,4 mil m² pertencentes ao Município;
- 45,5 mil m² pertencentes à Portuguesa.
Essa divisão ajuda a compreender por que o problema não pode ser resolvido simplesmente iniciando a demolição e construindo a nova arena.
Para investidores e instituições financeiras, a segurança sobre a propriedade é fundamental.
Portuguesa busca uma solução definitiva para o terreno

Ao longo de 2026, a regularização da área passou a ocupar papel central nas discussões sobre o Novo Canindé.
Uma das soluções discutidas envolve a aquisição, pela própria Associação Portuguesa de Desportos, de partes atualmente pertencentes ao Município.
A ideia seria preservar o patrimônio na associação enquanto a exploração econômica aconteceria dentro do modelo relacionado à SAF e à futura arena.
Esse tipo de solução pode ser decisivo para o financiamento.
Poucos investidores estariam dispostos a comprometer centenas de milhões de reais em uma construção sem segurança jurídica de longo prazo sobre o terreno utilizado.
Quando começam as obras do Novo Canindé?
Ainda não existe uma data definitiva confirmada. A previsão original apontava para janeiro de 2026.
Como isso não aconteceu, o cronograma precisou ser revisto.
Em março de 2026, dirigentes da Portuguesa SAF mencionaram a possibilidade de início das obras durante o primeiro trimestre de 2027.
Entretanto, até agosto de 2026, a regularização do terreno ainda era tratada como uma das condições essenciais para destravar o empreendimento.
Por isso, qualquer data de inauguração apresentada com base no cronograma antigo deve ser vista com cautela.
Se as obras realmente durarem aproximadamente 40 meses, a data final dependerá diretamente de quando a construção efetivamente começar.
A empresa responsável pelo projeto também mudou
Outra mudança relevante ocorreu depois da apresentação oficial do projeto em 2025.
Naquele momento, o empreendimento estava ligado à Revee.
Posteriormente, a Portuguesa SAF informou em suas demonstrações financeiras que decidiu substituir a empresa na condução do projeto.
A IN Entretenimento passou a ser apontada como nova parceira estratégica para o desenvolvimento da futura arena.
A alteração é importante porque projetos desse porte costumam evoluir conforme novos estudos financeiros, arquitetônicos e operacionais são realizados.
Isso significa que o desenho mostrado em 2025 não deve necessariamente ser tratado como uma reprodução exata de tudo aquilo que será construído.
Mudanças ainda podem acontecer.
O projeto arquitetônico definitivo pode mudar?
Sim. Isso é normal em grandes obras.
As primeiras imagens normalmente representam uma fase conceitual ou preliminar.
Depois vêm projetos de engenharia, cálculos estruturais, estudos acústicos, exigências de segurança, análises de circulação, acessibilidade, impacto viário, orçamento e licenciamento.
Cada uma dessas etapas pode provocar alterações. Entre os pontos que ainda deverão ser detalhados estão:
- geometria definitiva das arquibancadas;
- cobertura;
- tratamento acústico;
- sistemas de circulação;
- acessos;
- evacuação;
- tecnologia do gramado;
- operação para shows;
- áreas de carga e descarga;
- acessibilidade;
- iluminação;
- instalações elétricas;
- sustentabilidade;
- soluções de mobilidade.
Por isso, os renders devem ser vistos principalmente como uma indicação do conceito e da escala pretendida.
Quer ver o projeto em detalhes?
No canal Mundo dos Estádios mostramos as imagens do Novo Canindé e explicamos como a transformação pode mudar completamente a tradicional casa da Portuguesa.
Assista ao vídeo completo e depois volte ao artigo para conferir os detalhes e atualizações do projeto.
O Novo Canindé poderá competir com outras arenas de São Paulo?
Esse talvez seja um dos aspectos mais interessantes do projeto.
São Paulo já possui grandes equipamentos capazes de receber partidas e eventos, como Allianz Parque, Neo Química Arena, Morumbis e Mercado Livre Arena Pacaembu.
O Novo Canindé entraria em um mercado extremamente competitivo. Mas existe uma diferença importante.
A Portuguesa não precisa necessariamente depender apenas dos jogos do próprio clube para justificar uma arena desse tamanho.
A estratégia parece justamente ser a de transformar o empreendimento em uma grande plataforma de entretenimento.
Shows internacionais, festivais, eventos corporativos e outras atrações podem representar uma parcela importante das receitas.
A localização próxima à região central e à Marginal Tietê pode ser uma vantagem significativa nessa disputa.
Faz sentido a Portuguesa ter um estádio para mais de 50 mil pessoas?
Esta é uma pergunta inevitável.
O público médio atual da Portuguesa não exige um estádio dessa capacidade.
Se o Novo Canindé fosse construído exclusivamente para receber jogos da Lusa, seria difícil justificar economicamente uma arena para mais de 50 mil espectadores. Mas esse não é o conceito apresentado.
O tamanho está relacionado principalmente à estratégia multiuso. Em outras palavras, o projeto não está dimensionado apenas para a Portuguesa.
Está dimensionado também para o mercado de grandes eventos de São Paulo. O desafio será conciliar essas duas utilizações sem prejudicar a atmosfera das partidas do clube.
Um estádio muito grande e pouco ocupado pode transmitir sensação de vazio. Arquitetura, distribuição dos setores e operação poderão ser fundamentais para evitar esse problema.
O que acontecerá com a identidade histórica do Canindé?
Esta talvez seja a questão mais emocional de todo o projeto.
Modernizar o estádio pode ser fundamental para o futuro econômico da Portuguesa. Mas o Canindé possui uma personalidade construída durante décadas.
Arquibancadas, localização, clube social, tradições e histórias fazem parte da memória dos torcedores. Reconstruir praticamente todo o complexo cria um desafio:
como modernizar sem apagar a identidade do Canindé?
Não basta instalar cadeiras verdes e vermelhas.
Uma arena realmente ligada à Portuguesa pode incorporar elementos da história do clube, referências à comunidade portuguesa, espaços de memória, museu, objetos do antigo estádio e características arquitetônicas exclusivas.
Esse cuidado pode determinar se o novo equipamento será percebido como simplesmente uma arena moderna ou como o verdadeiro Novo Canindé.
O Novo Canindé será realmente construído?
Até agosto de 2026, o projeto continua fazendo parte da estratégia da Portuguesa SAF.
Mas isso não significa que a obra já esteja garantida exatamente da maneira mostrada nas imagens. É importante separar três situações:
O projeto existe.
Existe intenção declarada de executá-lo.
Mas a construção ainda não começou.
Terreno, financiamento, licenciamento, parceiros e projeto executivo ainda precisam avançar.
Isso não torna o Novo Canindé apenas uma ideia.
Mas também significa que qualquer informação sobre data definitiva de inauguração, custo exato ou configuração final precisa ser tratada com cautela.
Por que o Novo Canindé é tão importante para a Portuguesa?

O Novo Canindé é muito mais do que um projeto arquitetônico. Ele está diretamente relacionado ao futuro econômico da Portuguesa.
Um estádio moderno pode produzir receitas provenientes de:
- ingressos;
- camarotes;
- áreas VIP;
- shows;
- eventos;
- estacionamento;
- alimentação;
- hotel;
- publicidade;
- patrocínios;
- naming rights;
- exploração comercial.
Para um clube tentando recuperar relevância esportiva e reorganizar sua situação financeira, criar novas fontes permanentes de receita pode ser decisivo.
Por isso, o Canindé passou de patrimônio histórico a uma das principais peças do modelo de negócios da nova Portuguesa.
Uma transformação que vai muito além de uma reforma
Chamar o projeto simplesmente de “reforma do Canindé” não explica sua dimensão.
A proposta é transformar profundamente uma área que há décadas representa a Portuguesa.
O estádio atual, para cerca de 21 mil pessoas, poderá dar lugar a uma arena para mais de 50 mil espectadores em partidas e aproximadamente 84,5 mil em grandes eventos.
Hotel, boulevard gastronômico, clube social, milhares de vagas de estacionamento e novas áreas de hospitalidade completam o conceito.
Mas a grandiosidade do projeto também explica sua dificuldade. Não basta desenhar uma arena.
É preciso resolver terreno, financiamento, licenciamento, engenharia, operação e viabilidade econômica. O maior desafio do Novo Canindé talvez não seja construir suas arquibancadas.
Será transformar um projeto extremamente ambicioso em um empreendimento sustentável durante décadas.
Se isso acontecer, a Portuguesa poderá ganhar muito mais do que um novo estádio.
Poderá transformar justamente o seu maior patrimônio histórico em uma das principais ferramentas para reconstruir o futuro do clube.
Perguntas frequentes sobre o Novo Canindé
Qual será a capacidade do Novo Canindé?
O projeto divulgado prevê mais de 50 mil espectadores em partidas de futebol. Foram anunciados 46.500 assentos convencionais e 4.685 lugares nos camarotes.
Quantas pessoas poderão assistir a shows no Novo Canindé?
A capacidade estimada para grandes eventos utilizando também a área do gramado chega a aproximadamente 84,5 mil espectadores.
Qual é a capacidade atual do Canindé?
O Estádio Dr. Oswaldo Teixeira Duarte possui capacidade registrada próxima de 21 mil espectadores.
Quando começam as obras do Novo Canindé?
A previsão inicial era janeiro de 2026, mas as obras não começaram. Em 2026 chegou-se a mencionar o primeiro trimestre de 2027, porém ainda não havia uma nova data definitiva confirmada até agosto.
Por que a construção atrasou?
Um dos principais fatores é a necessidade de regularizar a situação fundiária da área do Canindé, que envolve terrenos da Portuguesa e do Município de São Paulo. Questões relacionadas ao financiamento e à estruturação do empreendimento também fazem parte do processo.
Quanto custará o Novo Canindé?
As estimativas públicas variaram bastante. Inicialmente foram divulgados valores próximos de R$ 500 milhões, enquanto declarações posteriores chegaram a mencionar um investimento entre R$ 850 milhões e R$ 1 bilhão.
O Novo Canindé terá hotel?
Sim. O projeto apresentado prevê hotel integrado ao complexo, além de boulevard gastronômico, clube social e outras áreas comerciais.
Quantas vagas de estacionamento terá?
A versão apresentada em 2025 prevê aproximadamente 4.600 vagas.
O atual Canindé será apenas reformado?
Não. O nível de intervenção previsto é tão grande que o projeto se aproxima muito mais da construção de uma nova arena dentro do complexo do que de uma simples modernização pontual do estádio existente.
O projeto ainda pode mudar?
Sim. Imagens divulgadas representam o conceito apresentado até agora. Projeto executivo, engenharia, licenciamento, custos e mudanças entre parceiros podem provocar alterações antes do início efetivo das obras.
Gostou do artigo “Novo Canindé: projeto, capacidade e início das obras”? Deixe sua impressão nos comentários! Visite o nosso canal no YouTube: https://www.youtube.com/@mundodosestadios
Sobre o Autor
0 Comentários